REGINALDO DE ANDRADE
AGORA O BICHO VAI PEGAR? Em clima de guerra, literalmente é isso que vislumbramos nas favelas fluminenses, propriamente no complexo do "alemão" um conjunto de favelas que concentram o cartel do tráfico carioca. O qual foi invadido e dominado pelas forças armadas e policias estaduais e federais, com direito a tanques de guerras, até então só vistos nos filmes norte-americanos, em museus ou na internet. Clima este até então desconhecido no Brasil, um governo aceitar amplo apoio das forças armadas da Marinha e Exército e Polícia Federal, atuação esta aparentemente desbaratou o cartel do império do tráfico, até então intransponível pela policia. Cenário de guerra, tiros, tanques, centenas de policiais armados até os dentes, em meio à população atônita nos morros, perplexas por tal ação, só vista antes por parte dos criminosos que intimidavam a polícia pelo seu poder bélico, e literalmente os punham para correr, cerceando sua área de jurisdição e domínio, criando assim seu governo paralelo, o do tráfico de drogas. No entanto a resposta dada pelo Estado contra o crime organizado por meio de um arsenal bélico de guerra, foi implacável e triunfante, melhor do que se imaginava, até mesmo pelos mais otimistas, poderíamos imaginar que a retomada do morro do alemão se desse de modo tão eficaz. Um prato cheio para a imprensa sensacionalista, bem como a população por ela influenciada, ecoando a tal reconquista como a vitória derradeira sobre o crime organizado no Rio. Onde obviamente os políticos aproveitam para botar as manguinhas de fora e estufarem o peito falando do feito, como se fosse algo sobrenatural, como se não fora pura e simplesmente o cumprimento do dever constitucional do Estado, investido na pessoa do Governo, detentor da responsabilidade precípua da segurança pública. Sem dúvida a iniciativa é digna de louvor, mérito, medalha, troféu, honra ao mérito, porém firmemos os pés no chão, e voltemos à realidade, deixando de lado ares de ‘Alice no país das maravilhas’, cosmovisão cósmica esta já tão disseminada pelo ilustre presidente Lula, retificada em sua célebre citação "nunca antes na história desse país...". Devemos ter um olhar crítico sim! Mesmo diante da inquestionável prevalência do Estado sobre a criminalidade, todavia devemos ter um olhar panorâmico e não monofocal, como amplamente abordado pela grande mídia, onde se da destaque somente a retomada de domínio nos morros e na apreensão de armas e drogas, no entanto atrelado a isto, emergem outras situações gravíssimas, e aqui destaco algumas! Como ficam os viciados em drogas? Bem se sabe que a abstenção causa alucinações, com comportamentos agressivos e violentos, tornando-se assim um eminente risco a sociedade em sua volta, e não podemos tratá-los apenas no âmbito da segurança pública como infratores e/ou criminosos, devem ser tratados no âmbito da saúde pública, para que possa auxiliá-los neste processo. Caso não se tenha tais diretrizes dentro de uma transversalidade de serviços, se presenciara o aumento nos casos de furto, roubo, violência, estupros e tantos outras mazelas já tão vivenciada junto aos usuários e traficantes. Sendo assim, o Estado deve intervir e tratar de forma efetiva na devida amplitude e complexidade que a situação exige. Outros fatores devem ser considerados como, criação de ambientes para a prática esportiva e atividades culturais, ações estas imprescindíveis na marcha contra o tráfico de drogas, ações estas que tendem a conceber uma nova cultura de comunidade, sobretudo junto as crianças e adolescentes, maiores vítimas desta praga social. Parafraseando sociólogos e assistentes sociais, se faz necessário um banho de cidadania, isto é, propiciar serviços públicos básicos e suplementares, que permitam estes cidadãos vislumbrarem a inclusão social por meio da educação, trabalho, segurança e saúde, bem como os serviços assistenciais indispensáveis para que se garanta a dignidade da pessoa, princípios estes assegurados pela Carga Magna brasileira. Não se iluda de que com tais iniciativas exterminaremos com este mal, e os demais a ele agregados, mas estabeleceremos um importante passo que propiciara de forma mais efetiva o desprendimento destas comunidades da cultura do tráfico, permitindo que se trilhem novos caminhos. É importante destacar que este crescimento e domínio do tráfico no Rio, se deu pelo descaso dos governos ao longo dos anos, o que propiciou essa hegemonia criminosa, criando literalmente um poder paralelo, aparentando inclusive em alguns momentos até certo conluio, destes com aqueles, isto pois, notório é o ambiente favorável para o surgimento e desenvolvimento das facções do crime organizado, propiciando que os criminosos tivessem maior poder bélico e estratégico do que a polícia, acabando por cercear sua área de atuação, impondo a comunidade suas regras e condições, decadência esta que perdura há décadas, e com crescimento vertiginoso, se enraizando nas comunidades mais carentes. E hoje infelizmente vem ainda estereotipada pelas milícias, isto é, policiais que ocupam o papel dos traficantes nos morros, forjando assegurar segurança e paz. Sendo assim não basta aplaudir, como orientou um especialista em segurança pública, em entrevista a uma emissora de TV que inclusive dá uma orientação um tanto quanto descabida "...quando ver um policial, baixe os vidros de seu carro e aplauda", cômico se não fosse trágico! O clima de medo e tensão que há anos cerca o Rio, avolumada recentemente pela onda de incêndios em veículos por todo o Rio, que vem dinamitando a situações de caos e medo, amedrontando toda população, e até a própria policia fica tensa diante da eminente situação de combate com os traficantes, agora fica orientada por uma frase infeliz desta. Primeiro, se eu for o único ocupante, logicamente também serei o condutor, e se for atender a tal conselho, terei de tirar ambas as mãos do valente, para bater palmas, infringindo a legislação de transito, estando assim sujeito a multa! Segundo, corre-se o risco de que com tal atitude, venha ainda um susto do agente policial e tomar um tiro de graça! Pensem comigo, o policial a postos, a paisana, percebe a aproximação de veículo com os vidros levantados, e repentinamente os mesmos se abaixando, e nota a movimentação dentro do mesmo, imaginou! Vai ou não vai dar m...?! Como se não bastasse à mídia explora e expõe a comunidade, como vi no último final de semana um renomado jornalista, aproveitando-se da inocência de uma criança, o toma como guia para adentrar no morro, nas áreas antes dominadas pelos comandantes do tráfico, e assim filmava o garoto, repetidas vezes dizia seu nome "Ronaldo!", um desfavor a segurança deste e de outras residentes da comunidade. Não podemos ser hipócritas ou inocentes a ponto de acreditar que a vigorosa máfia do tráfico carioca sucumbiu, isto que ocorreu foi apenas uma lasca da ponta do ice berg e não o fim do mesmo. Mas a mídia aborda e explora como se tivéssemos conquistado um país estranho, sendo que nem isto garantiria total prevalência do ocupante, como bem sabemos e vemos o embrólio americano nos conflitos com o Afeganistão e Iraque, sendo que mesmo tendo o domínio bélico político do país, não conseguem garantir a paz, nem sua própria segurança, haja vista os milhares de assassinatos de soldados em combate! Voltemos ao nosso umbigo! Desta forma a "conquista/retomada" do complexo do alemão não garante o fim da criminalidade, nem de suas estratégicas ações, incorrendo aí num eminente risco à aqueles que manifestam-se publicamente diante dos efervescentes holofotes da mídia voraz, sensacionalista e irresponsável, a qual se aproveita dos menos entendidos para os expor de bandeja ao intoleráveis traficantes, que aliás são especialistas em práticas cruéis de assassinato, como o praticado recentemente contra integrante da mídia, o enfiando dentre pneus de carro, ensopando-o com líquido inflamável, logo em seguida, ateando fogo! Esse é apenas de um das várias técnicas cruéis que costumam praticar o poder paralelo estabelecido nos morros cariocas. Sendo assim estes interlocutores residentes da comunidade, tornam-se alvo de futuras vinganças por parte dos criminosos, o pior, apóiam-se na inocência de uma criança, a qual que constitucionalmente estaria protegido da exploração de imagem, além do previsto pelas diretrizes do estatudo da criança e adolescentes, ainda mais numa situação destas. Mas a grande mídia sensacionalista não esta nem aí, quer audiência, se puder ver o sangue rolando ao vivo melhor ainda! Nem que pra isto seja necessário expor alguém ao risco de morte. Essas são apenas algumas das peripécias vistas diante da situação periclitante que se vê no Rio de Janeiro, mas parafraseando o poeta musicista: "o Rio de Janeiro continua lindo, alô, alô realengo aquele abraço", vem aí a Copa, Olimpíadas, tomara que a polícia não seja ludibriada pelos inflamados holofotes da mídia, e nem os políticos, sejam oportunistas na oportunidade de desenvolver seu marketing de promoção pessoal, e deixem de tratar a fundo o problema. O que se espera agora do Estado, não é apenas um discurso robusto e entonado, dizendo: "não recuaremos", dando um ar hollywoodiano brasileiro de Tropa de Elite, o que não é suficiente! Devem sim se unir, como demonstrado, não somente as polícias, mas os poderes, ou poder, sendo que o Estado é uno, consequentemente seu Poder, todavia gerenciado de forma separada como amplamente dissertado por Montesquieu em sua obra, o Espírito das Leis, onde consagrou a teoria da triparticipação do Poder! Ops, foco! O Poder Executivo, que investidos pelo governos municipais e estadual, apoiado pelo federal, de igual modo o Legislativo através de vereadores, deputados e senadores devem se unir pra enfrentar e prevalecer sobre a criminalidade do tráfico, não obstante, o Judiciário deve acompanhar esta premissa, unido-se assim a um efetivo embate contra o poderoso império das drogas. Quando me refiro a visão panorâmica, falo da necessidade de saneamente básico, saúde, educação, segurança, habitação, esporte, lazer e até do novo PEC da felicidade (projeto de emenda a Constituição) que pretende mitigar os problemas inserindo na Magna Carta, como direito básico ou fundamental sei lá! O direito a felicidade! Hã! Ah ta sei, felicidade é o astronômico aumento dos vencimentos previstos para deputados e senadores para a próxima legislatura, onde cada um irá receber em torno de R$ 26 mil ao mês, que tal: aí sim, é felicidade! Retomando a pauta outra vez, não basta apresentar a versão in loco do Tropa de Elite III. De outra forma, não basta acender e direcionar os holofotes somente para "as cariocas" exalando exuberância e requinte angelical, contemplando somente as belezas da apelidada cidade maravilhosa, não sei pra quem, mas vamos adiante! O Rio é ímpar em beleza natural e cultura, povo hospitaleiro e festivo, mas infelizmente também pela criminalidade, a qual criou diferencial competitivo dos demais existentes nas unidades federais do país. O Rio de Janeiro continua lindo? Alô, alô Sérgio Cabral, aquele abraço e boa sorte! Porque ainda o bicho vai pegar! Tem ainda muito osso duro pra roer, agora pegou um(morro), agora pega geral, pra realmente o tráfico perder. Vai lá tropa de elite! Feliz Natal! Reginaldo Andrade. Interaja comigo no blog do site. Participe!





